quinta-feira, 28 de junho de 2012

Absorvendo a Energia do Sol




Este é um exercício Tolteca altamente energético, muito bom para ser realizado quando nos encontramos cansados e sem forças.


- Olhe para o Sol com os olhos fechados;
- Inale profundamente pela boca e puxe o calor da luz do sol para o estômago;
- Sustente o ar no estômago pelo tempo máximo que puder;
- Trague o ar mais uma vez e exale vagarosamente.


Imagine que você é um girassol. Sempre conserve seu rosto de frente para o sol quando estiver respirando. A luz do sol carrega a respiração de poder. Assim tenha certeza de tomar grandes goles de ar e de que os pulmões estejam completamente cheios. Faça isto três vezes.
Realizando este exercício, a energia do sol se estende para todo corpo. Inclusive é possível enviar deliberadamente os raios curativos do sol para qualquer área do corpo você deseja, usando a mente simplesmente para dirigir a energia do sol para o local desejado.
Sugerimos que façam as três respirações, respirando pelo nariz e imaginando a energia do sol fluindo e circulando com sua luz energética ao longo da sua coluna. Deste modo, os raios inundam o corpo completamente.

http://www.templeofmagic.com.br/xmn/xmn03.htm

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Religião do Futuro



"A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia" 
~Albert Einstein (1879-1955)

terça-feira, 15 de maio de 2012

O Caminho do Meio




O Caminho do Meio virá por si mesmo, e por si mesmo irá embora se não soubermos andar por ele.

Por ser assim tão invisível, é também chamado o Não-Caminho.
Estamos acostumados a parar de caminhar apenas quando já chegamos, mas aqui trata-se justamente do oposto: chegamos quando paramos de caminhar!

Quem busca estará sempre no meio do caminho.

Quem encontra estará sempre no Caminho do Meio.

O próprio Caminho do Meio, portanto, não pode ser buscado jamais, apenas encontrado. Tudo o que se encontra nos remete a ele, mesmo as coisas mais desprezíveis.

O caminho que nos leva não entre os opostos, mas através deles; o caminho que nos leva não para longe dos extremos, mas para dentro deles, este é o Caminho do Meio.

No centro da Roda do Vir-a-Ser, no olho mesmo da confusão, aqui, bem no meio do caminho, alucinados pelo desejo, possuídos pela paixão, agarrados às coisas do mundo, sofridos, radicais, imperfeitos, pecadores ... há uma flor. 

Há uma flor agora.

Há um belo e puro lótus, desses que crescem nos pântanos mais imundos. 
Sobre ele senta-se em paz o Desperto.

http://www.rubedo.psc.br

terça-feira, 8 de maio de 2012

Deus do bem e do mal




Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças;

Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro.

Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.

ISAIAS cap 45, versiculos 5-7

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Reforma Íntima



Reforma íntima corresponde a uma mudança de atitude, no modo de pensar, sentir e agir, visando transformar nossa vida para melhor. Reforma intima é a solução para viver com paz e gratidão pelas maravilhosas dádivas que Deus nos concedeu, uma importante oportunidade de evoluir através das experiências vivenciadas na Terra. Mudar o foco - pensar nas soluções ao invés de nos problemas - faz da jornada de nossa vida uma maravilhosa viagem, cheia de prazer e alegria.


VINTE EXERCÍCIOS PARA A REFORMA ÍNTIMA: 


1. Silenciarmos diante da ofensa que nos fazem. 


2. Esquecermos o favor que prestamos a alguém.


3. Desobrigarmos aos amigos de praticarem qualquer gentileza para conosco. 


4. Emudecermos a nossa agressividade. 


5. Executarmos alegremente as nossas próprias obrigações.


6. Não condenarmos as opiniões que divergem da nossa. 


7. Abolirmos qualquer pergunta maliciosa ou desnecessária. 


8. Repetirmos informações e ensinamentos sempre que necessário sem qualquer queixume.


9. Treinarmos constantemente a nossa paciência. 


10. Ouvirmos de boa vontade os problemas dos companheiros não colocando nossas dores acima das deles. 


11. Buscarmos sem afetação ou interesse o meio de sermos mais úteis. 


12. Desculparmos pelos prejuízos que nos causam sem exigir que se desculpem por isso. 


13. Não falarmos nem pensarmos mal de ninguém. 


14. Buscarmos sempre o melhor das pessoas com quem convivemos, do jeito que são naturalmente. 


15. Alegrarmo-nos com a alegria dos outros.


16. Não aborrecermos a quem trabalha. 


17. Ajudarmos de boa vontade sem necessidade que nos peçam. 


18. Respeitarmos o serviço alheio. 


19. Colocarmos os nossos problemas particulares em último plano. 


20. Servirmos de boa vontade quando a enfermidade nos ferir. 



O aprendiz da experiência terrena que quiser e puder aplicar-se, pelo menos, a alguns dos vinte exercícios aqui propostos, certamente receberá do Divino Mestre Jesus, em plena escola da vida, as mais distintas notas no curso da Caridade.

(mensagem adaptada do espírito Scheila, livro Ideal Espírita, Espíritos Diversos, psicografado por Francisco Cândido Xavier).

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Budismo



Pouco após a sua Iluminação, o Buddha ("O Iluminado" ou “O Desperto”), proferiu o seu primeiro discurso definindo a estrutura básica sobre a qual se baseariam todos os seus ensinamentos seguintes. Essa estrutura básica são as Quatro Nobres Verdades, quatro princípios fundamentais da natureza (Dharma) que emergiram da avaliação honesta e profunda que o Buddha fez da condição humana e que definem toda a abrangência da prática Budista. Essas verdades não são afirmações de fé. São na verdade, categorias nas quais podemos enquadrar nossa experiência de tal forma a criar condições para a Iluminação:

1- A Existência do Sofrimento

2- A Causa do Sofrimento: o Apego

3- A Extinção do Sofrimento: a Eliminação do Apego

4- O Caminho que Leva à Extinção do Sofrimento: o Nobre Caminho Óctuplo, composto por entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta e concentração correta.


 A Existência do Sofrimento

Toda existência senciente implica em sofrimento (Duhkha). Por "sofrimento", devemos entender que, de uma forma essencial, todo ser está mergulhado em algum tipo de ignorância consciencial. Isso implica que a maioria dos seres humanos "sofrem" por não saberem lidar com a existência de forma equilibrada, seja nas experiências consideradas "prazerosas" ou nas consideradas "dolorosas". O sofrimento ignorante é fundamentado pela angústia da frustração egóica, que se prende em um sem-número de expectativas lineares e ilusoriamente permanentes. Portanto, nós seres humanos sofremos de uma "doença" psico-espiritual, de consciência, que nos leva a lidar com os contatos perceptivos de forma frustrante.

Há oito espécies de sofrimento: nascimento, velhice, doença, morte, contato com o que detestamos, separação do que amamos, objetivos inalcançáveis e o sofrimento inerente ao apego aos cinco agregados (elementos psicofísicos: forma, sentimentos, percepção, constituintes mentais e consciência).

Coletivamente são chamados de numa (nome) e rupa (forma). Assim o composto de nome-forma é um sinônimo dos cinco agregados. Tanto os agregados físicos como mentais são caracterizados pela impermanência, sofrimento e não-eu.

A Causa do Sofrimento

O sofrimento ocorre pelo desejo ignorante (Trshna). Aqui temos a base de todo processo ilusório no qual os seres sencientes estão presos. No plano humano, o desejo ignorante ocorre em função de um estado de delusão ou "não-sabedoria" (avidya). Esta condição é um estado natural nos seres em sua origem, mas que não é impossível de ser superada à medida em que um ser humano esforça-se em direção à reflexão.

O desejo pode ser classificado em três tipos, baseados nos três modos de identificação egóica: Apego (o desejo projetado como forma de anseio passional), Aversão (o desejo projetado como forma de rejeição odiosa) e a Indiferença (os apegos e aversões desviados repressivamente em uma atitude de falso alheamento). a Verdade da Causa do Sofrimento a palavra da Índia traduzida como "causa" significa "vir junto, formar-se conjuntamente e surgir, aparecer".


A Extinção do Sofrimento

É possível superar o sofrimento. Embora os processos racionais e sociais sejam muito viciantes e arraigados em nosso complexo psico-emocional, Buddha afirma que eles podem ser superados, e que uma forma nova de visão e percepção do mundo é possível.O Sutra define a Verdade da Extinção do Sofrimento como a eliminação dos apegos e o estado de Nirvana.

Sutras primitivos descrevem Nirvana como eliminação das máculas, extinção da ganância, raiva e ignorância. Neste contexto a extinção do sofrimento é Nirvana.


O Caminho para a Extinção do Sofrimento: O Nobre Caminho Óctuplo

A última das Nobre Verdades contém a prescrição de como aliviar nossa insatisfação e alcançar a eventual libertação, de uma vez por todas, desse ciclo de vida e morte (samsara) doloroso e desgastante ao qual – pela própria ignorância (avijja) das Quatro Nobres Verdades – estamos presos por tempos incontáveis. O Nobre Caminho Óctuplo oferece um guia prático e completo para o desenvolvimento mental de qualidades e habilidades benéficas que devem ser cultivadas se o praticante desejar alcançar o objetivo final, a liberdade e felicidade supremas, o Nirvana. Embora estudados individualmente cada aspecto faz parte de um todo orgânico e indivisível.

Ponto de Vista Correto - sabedoria e compreensão das Quatro Verdades Nobres e da Origem Interdependente. Alguns consideram como Fé Correta, para os de pouca experiência que ainda não adentraram o nível da sabedoria superior.

Pensamento Correto - pensamento ou determinação que precede ação ou fala. Para uma pessoa ordenada é a prática do pensamento correto através da mente cada vez mais gentil, compassionada e pura. Para os leigos é pensar corretamente sobre sua situação e agir determinadamente de acordo.

Fala Correta - surge do pensamento correto. Não mentir, não usar linguagem pesada, não falar mal dos outros, não caluniar, não falar frivolamente e usar a fala beneficiando a todos e conduzindo à harmonia, pela ternura que nutre a todos os seres.

Ação Correta - surge do pensamento correto. Não matar, não roubar, não cometer adultério. É praticar boas ações como a de proteger e cuidar de todos os seres, observando os valores éticos.

Meio de Vida Correto - conduta correta na maneira de viver, de se manter, com hábitos regulares e saudáveis de dormir, comer, trabalhar, fazer exercícios, descansar. Viver de maneira a melhorar a saúde, ser mais eficiente e criar harmonia, eficiência e saúde para todos. Ter meios de vida que considerem outros seres, outras formas de vida, o respeito e dignidade próprios e dos outros presentes e passados, as futuras gerações, a sustentabilidade e a melhor qualidade da vida.

Esforço Correto - dedicar-se constante e assíduamente ao caminho de obter os ideais de fé religiosa, ética, educação, política, economia e saúde produzindo e aumentando o que é bom e prevenindo e eliminando o que é mal.

Atenção Correta - manter-se atento garante que com a correta consciência e percepção nunca sejam esquecidos os objetivos ideais de fazer o bem a todos os seres. Na vida diária é agir com cuidado e atenção, pois qualquer momento desatento pode causar um desastre. Do ponto de vista Budista tradicional significa manter constante atenção à impermanência, sofrimento, não-eu.

Concentração Correta - aqui a referência é aos Dhyanas ou estados meditativos. Manter a mente calma e concentrada para permitir a manifestação da sabedoria completa e verdadeira a partir da qual surgem os pensamentos e ações corretas. Manter a mente clara e brilhante em tranqüila atividade.

Na prática, o Buddha ensinou o Nobre Caminho Óctuplo aos seus discípulos de acordo com um sistema de treinamento gradual, iniciando com o desenvolvimento de sila ou virtude (linguagem correta, ação correta e modo de vida correto, que na prática estão resumidos nos cinco preceitos), seguido pelo desenvolvimento de samadhi ou concentração (esforço correto, atenção plena correta e concentração correta), culminando com o pleno desenvolvimento de pañña ou sabedoria (entendimento correto e pensamento correto). A prática de dana (generosidade) serve como um apoio para cada passo ao longo do caminho já que atua como um auxiliar na corrosão da tendência habitual ao desejo e também porque pode trazer grandes ensinamentos sobre as causas e resultados das ações de cada pessoa (kamma).

O progresso ao longo do caminho não segue uma trajetória linear simples. Em vez disso, o desenvolvimento de cada aspecto do Nobre Caminho Óctuplo encoraja o refinamento e fortalecimento dos demais, levando o praticante adiante em uma espiral ascendente de maturidade espiritual que culmina na Iluminação.

Vendo por um outro ângulo, a longa jornada no caminho para a Iluminação tem início a sério com os primeiros sinais de alguma movimentação na questão do entendimento correto, os primeiros lampejos de sabedoria através dos quais a pessoa reconhece tanto a validade da Primeira Nobre Verdade e a inevitabilidade da lei do kamma (sânscrito karma), a lei universal de causa e efeito. A partir do momento que a pessoa se dá conta de que más ações inevitavelmente trazem maus resultados e que boas ações trazem bons resultados, o desejo, de viver uma vida moralmente correta e íntegra, de adotar seriamente a prática de sila, cresce. A confiança criada a partir desse entendimento preliminar leva o praticante a ter ainda mais fé nos ensinamentos. O praticante se torna um "Budista" a partir do momento em que expressa uma determinação interior de "tomar o refúgio" na Jóia Tríplice: o Buddha (tanto o Buddha histórico como o potencial de cada um de alcançar a Iluminação), o Dhamma (tanto os ensinamentos do Buddha histórico e a verdade última que eles revelam), e a Sangha (tanto a comunidade monástica que protegeu os ensinamentos e os colocou em prática desde os tempos do Buddha como todos aqueles que alcançaram algum grau de Iluminação). Tendo fincado firmemente os pés no solo através da tomada do refúgio e, com o auxílio de um bom amigo para ajudar a indicar o caminho, a pessoa estará pronta para trilhar o caminho, confiante de que estará seguindo as pegadas deixadas pelo próprio Buddha.

Algumas vezes o Budismo é ingenuamente criticado como uma religião ou filosofia negativa ou pessimista. Apesar de tudo (esse é o argumento utilizado) a vida não é somente miséria e desapontamento: ela oferece muitos tipos de alegria e felicidade. Porque então existe essa obsessão pessimista no Budismo com a falta de satisfação e o sofrimento?

O Buddha baseou os seus ensinamentos em uma franca avaliação da nossa situação como seres humanos: existe falta de satisfação e sofrimento no mundo. Ninguém pode contestar esse fato. Se os ensinamentos do Buddha parassem por aí, os seus ensinamentos poderiam de fato ser considerados pessimistas e a vida totalmente sem esperança. 

Porém, como um médico que prescreve o remédio para uma enfermidade, o Buddha oferece a esperança (a Terceira Nobre Verdade) e a cura (a Quarta). Os ensinamentos do Buddha portanto permitem ter um alto grau de otimismo em um mundo complexo, confuso e difícil. Um professor contemporâneo resumiu bem: "Budismo é a busca da felicidade levada a sério".

O Buddha alegava que a Iluminação que ele redescobriu está acessível a qualquer um que esteja disposto a fazer o esforço e comprometer-se a seguir o Nobre Caminho Óctuplo até o fim. Cabe a cada um de nós colocar essa afirmação à prova.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O Pensamento de Espinoza



Spinoza defendeu que Deus e Natureza eram dois nomes para a mesma realidade, a saber, a única substância em que consiste o universoe do qual todas as entidades menores constituem modalidades ou modificações. Ele afirmou que Deus sive Natura ("Deus ou Natureza" emlatim) era um ser de infinitos atributos, entre os quais a extensão (sob o conceito atual de matéria) e o pensamento eram apenas dois conhecidos por nós.

A sua visão da natureza da realidade, então, fez tratar os mundos físicos e mentais como dois mundos diferentes ou submundos paralelos que nem se sobrepõem nem interagem mas coexistem em uma coisa só que é a substância. Esta formulação é uma solução muitas vezes considerada um tipo de panteísta e de monismo, porém não por Espinosa, que era um racionalista, por Extensão se teria um acompanhamento intelectual do Universo, como define ele em seu conceito de "Amor Intelectual de Deus".

Spinoza também propunha uma espécie de determinismo, segundo o qual absolutamente tudo o que acontece ocorre através da operação da necessidade, e nunca da teleologia. Para ele, até mesmo o comportamento humano seria totalmente determinado, sendo então aliberdade a nossa capacidade de saber que somos determinados e compreender por que agimos como agimos. Deste modo, a liberdade para Spinoza não é a possibilidade de dizer "não" àquilo que nos acontece, mas sim a possibilidade de dizer "sim" e compreender completamente por que as coisas deverão acontecer de determinada maneira. 

A filosofia de Spinoza tem muito em comum com o estoicismo, mas difere muito dos estóicos num aspecto importante: ele rejeitou fortemente a afirmação de que a razão pode dominar a emoção. Pelo contrário, defendeu que uma emoção pode ser ultrapassada apenas por uma emoção maior. A distinção crucial era, para ele, entre as emoções activas e passivas, sendo as primeiras aquelas que são compreendidas racionalmente e as outras as que não o são.

Substância

Para Spinoza, a substância não possui causa fora de si, ela é causa de si mesma, ou seja, uma causa sui. Ela é singular a ponto de não poder ser concebida por outra coisa que não ela mesma. Por ser causa de si, a substância é totalmente independente, livre de qualquer outra coisa, pois sua existência basta-se em si mesma. Ou seja, a substância, para que o entendimento possa formar seu conceito, não precisa do conceito de outra coisa. A substância é absolutamente infinita, pois se não o fosse, precisaria ser limitada por outra substância da mesma natureza.

Pela proposição V da Parte I da Ética, ele afirma: "Uma substância não pode ser produzida por outra substância", portanto, não existe nada que limite a substância, sendo ela, então, infinita. Da mesma forma, a substância é indivisível, pois, do contrário, ao ser dividida ela, ou conservaria a natureza da substância primeira, ou não. Se conservasse, então uma substância formaria outra, o que é impossível de acordo com a proposição VI; se não conservasse, então a substância primeira perderia sua natureza, logo, deixaria de existir, o que é impossível pela proposição 7, a saber: "à natureza de uma substância pertence o existir". Assim, a substância é indivisível.

Assim, sendo da natureza da substância absolutamente infinita existir e não podendo ser dividida, ela é única, ou seja, só há uma única substância absolutamente infinita ou Deus.

Apesar de ser denominado Deus, a substância de Espinoza é radicalmente diferente do Deus judaico-cristão, pois não tem vontade ou finalidade já que a substância não pode ser sem existir (se pudesse ser sem existir, haveria uma divisão e a substância seria limitada por outra, o que, para Espinoza, é absurdo, como foi explicado no parágrafo anterior). Consequentemente, o Deus de Espinoza não é alvo de preces e menos ainda exigiria uma nova religião.

Os afetos - o desejo, a alegria e a tristeza

Os corpos se individualizam em razão do movimento e do repouso, da velocidade e lentidão e não em função de alguma substância particular (escólio 1 da prop. 13 da parte 2 da Ética), e a identidade individual através do tempo e da mudança consiste na manutenção de uma determinada proporção de movimento e repouso das partes do corpo (prop. 13 da parte 2 da Ética). O corpo humano é um complexo de corpos individuais, e é capaz de manter suas proporções de movimento e de repouso ao passar por uma ampla variedade de modificações impostas pelo movimento e repouso de outros corpos. Essas modificações são o que Espinoza chama de afecções.

Uma afecção que aumenta a capacidade do corpo de manter suas proporções características de movimento e repouso aumenta a potência de agir e tem, em paralelo, na mente, uma modificação que aumenta a potência de pensar. A passagem de uma potência menor para uma maior é o afeto de alegria (definição dos afetos, parte 2 da Ética). Uma afecção que diminui a potência do corpo de manter as proporções de movimento e repouso diminui a potência de agir e tem, em paralelo, na mente, uma diminuição da potência de pensar. A passagem de uma potência maior para uma menor é o afeto de tristeza. Já uma afecção que ultrapassa as proporções de movimento e repouso dos corpos que compõe o corpo humano destrói o corpo humano e a mente (morte).

Os indivíduos (mentes e corpos) se esforçam em perseverar em sua existência tanto quanto podem (prop. 6 da parte 3 da Ética). Eles sempre se esforçam para ter alegria, isto é, um aumento de sua potência de agir e de pensar, e eles sempre se opõem ao que lhes causa tristeza, ou seja, aquilo que diminui sua capacidade de manter as proporções de movimento e repouso características de seu corpo. O esforço por manter e aumentar a potência de agir do corpo e de pensar da mente é o que Espinoza chama de desejo (conatus).

"Não é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela, que a queremos, que a apetecemos, que a desejamos, mas, ao contrário, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por apetecê-la, por desejá-la, que a julgamos boa". Espinoza, Ética, parte 3 prop. 9 esc.

As afecções que são atribuídas à ação do corpo humano testemunham o aumento de sua potência de agir e de pensar e, por isso, o afeto de alegria sempre impulsiona à atividade. Em contraste, as afecções que diminuem a potência de agir e de pensar (provocando tristeza) testemunham sempre a passividade do corpo humano, são sempre passivas, são paixões (do grego pathos, sofrer uma ação).

Para Espinoza, a ilusão dos homens de que suas ações resultam de uma livre decisão da mente é consequência de eles serem conscientes apenas de suas ações enquanto ignoram as causas pelas quais são determinados, o que faz com que suas ações sejam determinadas pelas paixões. Isso é o que ele chama de primeiro gênero de conhecimento, imaginação ou idéias inadequadas(a consciência de nossos afetos, e a inconsciência do que os determina). O segundo gênero de conhecimento são as noções comuns ouidéias adequadas, que se caraterizam pela consciência do que nos determina a agir. As idéias adequadas sempre são efeitos da alegria, acarretam alegria e impulsionam a atividade, enquanto a imaginação (idéias inadequadas) se caracteriza pela passividade e pelo acaso de causar ou ser efeito da alegria ou da tristeza.

"[...] uma criancinha acredita apetecer, livrementre, o leite; um menino furioso, a vingança; e o intimidado, a fuga. Um homem embriagado também acredita que é pela livre decisão de sua mente que fala aquilo sobre o qual, mais tarde, já sóbrio, preferiria ter calado. Igualmente, o homem que diz loucuras, a mulher que fala demais, a criança e muitos outros do mesmo gênero acreditam que assim se expressam por uma livre decisão da mente, quando, na verdade, não são capazes de conter o impulso que os leva a falar. Assim, a própria experiência ensina, não menos claramente que a razão, que os homens se julgam livres apenas porque são conscientes de suas ações, mas desconhecem as causas pelas quais são determinados. Ensina também que as decisões da mente nada mais são do que os próprios apetites: elas variam, portanto, de acordo com a variável disposição do corpo. Assim, cada um regula tudo de acordo com o seu próprio afeto e, além disso, aqueles que são afligidos por afetos opostos não sabem o que querem, enquanto aqueles que não têm nenhum afeto são, pelo menor impulso, arrastados de um lado para outro. Sem dúvida, tudo isso mostra claramente que tanto a decisão da mente, quanto o apetite e a determinação do corpo são, por natureza, coisas simultâneas, ou melhor, são uma só e mesma coisa, que chamamos decisão quando considerada sob o atributo do pensamento e explicada por si mesma, e determinação, quando considerada sob o atributo da extensão e deduzida das leis do movimento e do repouso [...]" Spinoza, Ética, parte 3, prop 2 esc.

A grande inovação da ética de Espinoza foi que, nela, a razão não se opõe aos afetos, pelo contrário, a própria razão é um afeto, um desejo de encontrar ou criar as oportunidades de alegria na vida e de evitar ou desfazer ao máximo as circunstâncias que causam tristeza, mas o próprio desejo-razão (do mesmo modo que os outros tipos de afetos) não depende da vontade livre, mas de afecções que fogem ao controle do indivíduo porque são modos da substância única infinita que não tem finalidade nem providência. Em diversas obras. Espinoza diz que é nocivo (diminui nossa potência de agir e de pensar) ridicularizar ou reprovar alguém dominado pelas paixões, porque isso não depende da livre decisão da mente. O único modo do homem que se guia pela razão ajudar os outros é, nas palavras de Espinoza:

"Não rir nem chorar, mas compreender". (Espinoza, Tratado Político)

A ética de Espinoza é a ética da alegria. Para ele, só a alegria é boa, unicamente a alegria nos leva ao amor (que ele define como a idéia de alegria associada a uma causa exterior) no cotidiano e na convivência com os outros, enquanto a tristeza sempre é má, intrinsecamente relacionada ao ódio (que ele define como a idéia de tristeza associada a uma causa exterior), a tristeza sempre é destrutiva para nós e para os outros.

O terceiro gênero de conhecimento – beatitude

Além dos dois gêneros citados anteriormente, Espinoza afirma ainda um terceiro, chamado beatitude. Esse conhecimento se caracteriza por compreender nas coisas singulares o aspecto da eternidade (sub specie eternitatis). Seria algo como ver as coisas singulares como inseparáveis dos modos da substância infinita e eterna (Deus), compreendendo que as coisas singulares são elas mesmas eternas, existindo fora do tempo. Esse é um dos conceitos de Espinoza mais controversos e discutidos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Baruch_de_Espinoza

segunda-feira, 26 de março de 2012

“Oração ao Eu Superior”


 
Nesta hora feliz de adoração, deixo de lado todo esforço e cuidado e elevo meu coração até Ti em busca de luz e força, de fé e  coragem.
 
Durante a tensão e o tumulto das lutas diárias, eu cedo com demasiada frequência às facilidades egoístas e a ambições menores. Fico tão envolvido com as coisas da terra que perco a percepção da simplicidade e da nobreza da vida.
 
Fortalece meu espírito, ilumina a minha razão,  e eleva minhas metas e meus desejos, de modo que eu possa colocar todos os meus poderes de corpo e mente a Teu serviço.
 
Tu implantaste em mim a busca pelo que é invisível e pelo infinito;  que Tu estimules também em mim um cuidado e um propósito renovados, quando minha alma perder as forças e minha visão ficar embaçada. Que meus ideais permeiem todos os meus pensamentos e esforços, e que eu possa não perder de vista  jamais as Tuas realidades supremas!
 
Eu me inclino reverentemente diante de Ti, Força do meu coração, minha Luz infalível. Amém.

“The Union Prayerbook for Jewish Worship”, Part I, Cincinnati, USA, 396 pp., 1953, ver pp. 58-59. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

No Jardim de Sophia


No Jardim de Sophia, Philo conheceu o amor.
 
Este é um acontecimento que ocorreu há muito tempo... Só de lembrar meus olhos se põe a aguar, quão lindo o jardim de Sophia!
Lembro-me que estávamos nos meses das flores, numa manhã belíssima. O cheiro do ar inerente trazidos pelas brisas ligeiras, cujo perfume das flores, envolvia-nos naquele dia manso, nem tão frio, nem tão quente, providos de cores e de brilhos reluzentes... Apreciávamos cada momento de vasta beleza... Digo nós, embora não havíamos nos conhecido ainda, mas estávamos vivenciando a mesma sensação, o mesmo lugar e o mesmo momento.
- Que manhã linda! Maravilhosa! Disse baixinho.
Uma bela jovem, próximo a mim, olhou-me meio desconfiada e sorridente e me falou:
- Se “o maravilhosa” for por essa manhã, concordo. Agora se foi para mim: Obrigado!
Respondi com um sorriso, em sabor de caramelo:
- Acordei embebido pelo jardim de Sophia!
- Coincidência ou não me chamo Sophia e mais, procuro algo que me encante tal qual você se encontra... Posso me embriagar dessa alegria?
- Por que não? Venha comigo, vou te levar ao meu mundo da felicidade.
- Qual é o seu nome?
- Philo!
- Nome simpático, interessante... Algo me diz que vou gostar da sua companhia!
Sorri para ela e, encantado, pude ver seu rosto lindo e jovem a me contemplar. Seguimos conversando, eu tentando explicá-la detalhes sobre o fascínio e o encanto desse infinito paraíso, “o jardim deSophia”, e todo seu valor romântico, erudito e cultural...
Até que chegamos a uma praça. Víamos crianças brincando, correndo de um lado para o outro, casais enamorados, pássaros, árvores, flores, água, pessoas em civilidades, muita vida, tudo em plena harmonia.
A jovem estava atenta às minhas explicações, mas curiosa sobre minha pessoa.
- Afinal quem é você? Como sabe discernir cada multivivenca? Da onde vem tanto conhecimento?
- Sou o Amor, o Amante e o Amigo!
- Não entendi. O que significa tudo isso?
- Sente aqui comigo!
Apresentei-lhe algumas teorias, alguns pensadores da minha época e outros bem antes de mim, falamos de política e cidadania, fé e razão, homem e ciência, felicidade e educação.
Quando, de repente me peguei a cantarolar:
“... Estou nas palavras de Jesus, Buda e Maomé, sou o hoje, o amanhã e o ontem conservador... Sou criança, sou adulto, sou a cura do pagé, Sou o saber, sou a fonte, nas palavras de um professor...”
Naquele momento estávamos envolvidos pelo prazer da leitura. Aquela linda garota entregava-se mais e mais ao mundo encantado do conhecimento.
Continuei a explicar que o mundo gira em função da sabedoria humana, esta nos guiará sempre, fará enxergarmos o bem e o mau, falar de amores, fugir das dores, misturar sabores, conhecer valores, caminhar sobre as flores... Naquele instante nos abraçamos e, sem mais nem menos, beijamo-nos. Era o surgimento do amor.
Segundo o maior pensador da Grécia Antiga, Sócrates, enquanto existir Philo e Sophia “ Filosofia”  haverá o amor verdadeiro ao saber.
Nossos dias a partir de então foram completos. Cada gesto, cada palavra nos unia em amor e desejos. Passamos a buscar; conhecimentos, entendimentos, reflexões, leituras, experiências juntos.
Outro dia Sophia me perguntou?
- Philo, por que as pessoas são tomadas de ignorâncias? Por medo de conhecer a verdade, ou por desconhecer o medo de nada saber?
- A ignorância parte da pobreza da alma e somado ao medo e aos vícios faz inacessível conhecer a verdade e, sem verdade não pode existir sabedoria. Por isso canto aos quatro ventos:
“...Bem quisera viver sempre a pensar, e pensando, sigo feliz a cada dia,
Na sabedoria e na pureza de amar eternizado sou, no jardim de Sophia...”
Desde então, com a nossa união surgiu a Filosofia,  “ O amor ao saber”, “amante à sabedoria”  mãe de todas as ciências, conhecimento e ação, presente em todas as atividades do ser humano, tanto nos atos corriqueiros, singelos espontâneos, os quais realizamos sem compromisso a todo instante, quanto nas atitudes mais conscientes, mais comprometidas, que implica pensar mais profundamente sobre um determinado assunto; repensar, problematizar, duvidar, criticar, analisar, buscar o verdadeiro significado.
 
 

Autor: Sérgio Russolini
http://artigos.netsaber.com.br/artigos_de_sergio_russolini